De forma bem direta, o vinho é apenas um suco de uva fermentado. Simples assim! Nesta fermentação, o açúcar da própria fruta é transformado em álcool, através da ação de leveduras. Sendo tão prática, por que foi montado todo um circo em volta dessa bebida? Pra que tanto estudo, tanta firula, tanto “caqueado”?

Foi criada toda uma mística, para valorizar esta bebida. Ainda não sei se de forma proposital, mas muito do que acontece no mundo do vinho é supérfluo. Temos que separar, o que realmente importa, para termos cada vez mais pessoas apreciando, degustando, comprando vinhos. Esta barreira invisível, criada para elevar os vinhos à um patamar quase intangível, fizeram com que durante anos, o vinho fosse tratado como “coisa de rico”, onde os simples mortais nunca poderiam ter acesso.

Na sua história, é justamente o contrário. Podemos ver em tradicionais produtores de vinhos, como França, Espanha, Itália e Argentina, o vinho na mesa dos camponeses. Pessoas simples, que chegam do trabalho, mesmo na hora do almoço, tomando sua taça de vinho, na refeição. Sem essa parafernália criada para justificar os elevados preços, o vinho pode e deve ser de fácil acesso.

Mas tem um porém…. Apesar de ser uma bebida “simples”, temos muitas variantes numa garrafa de vinho. Uma das coisas mais extraordinárias nos vinhos, é a diferença que podemos identificar em cada garrafa que tomamos. Não falo apenas dos vinhos de marcas ou regiões diferentes. Falo do mesmo vinho, muitas vezes da mesma safra…! Cada garrafa tem sua identidade, é literalmente um organismo vivo, preso em uma garrafa, onde tudo interfere em sua qualidade – a temperatura onde é armazenado, a luz a que está exposto, a posição de guarda, o tempo até que seja aberto, o transporte até a adega, enfim, todas as variáveis existentes desde sua produção até sua abertura tem influência.

Um excelente exercício é comprarmos sempre mais de uma garrafa do mesmo vinho. Assim, temos parâmetros práticos de comparação. Vamos supor que você compra um vinho especial, feito de forma exclusiva, guarda em sua adega durante um ou dois anos, e num dia qualquer, assistindo ao BBB, decide simplesmente abrir esta garrafa… O vinho vai cair de patamar, com certeza (confesso que o BBB, foi exagero.… ).

Não existe vinho ruim ou estragado, existe vinho que você gosta ou vinagre… Podemos dizer que existem vinhos mais complexos de se elaborar, pois sua colheita é mais difícil devido à estar plantado em encostas, pois a sua armazenagem é feita em barris franceses, pois os custos de marketing para divulgação de sua marca são muito altos, mas não existe “o vinho bom e o vinho ruim”. São muitas variantes dentro e fora da garrafa.

A regra é clara: Vinho bom é o que você gosta. E o que faz a diferença são os detalhes!

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