No início de 2013, aconteceu as bodas de 70 anos de casamento de meus avós maternos, além da comemoração do aniversário de minha avó, que fez 92 anos dois dias antes. Uma missa, seguida de um jantar para a 2a e 3a geração de nossa família, que rendeu uns bons 100 convidados, além dos anfitriões, claro. Durante a pregação, foi ressaltado como exemplo para os mais novos (já não tão novos assim) a trajetória de vida do casal. A missa começou com um comentário sobre o seguinte brinde realizado por meu avô, na comemoração do aniversário de minha avó: “Saúde para a mulher mais linda e mais companheira, que eu já tenha ouvido falar”. Passou a impressão que a imagem dela, continuava para ele, a mesma de quando eles se casaram.

A comemoração foi regada a muito vinho e champagne. As conversas no decorrer da noite, passaram a fluir de forma fácil e agradável (apesar do gradativo aumento de volume e das conversas cruzadas). Geralmente, fico responsável para selecionar e comprar estas bebidas, principalmente por ter fácil acesso aos fornecedores. E aí entra uma tarefa que não é fácil: agradar a todos, ou pelo menos, a maioria, no quesito vinho, é muito difícil, para não dizer quase impossível. Muitos tomam vinho apenas em momentos festivos, e por isso são muito influenciados pela marca ou produtor do vinho, que geralmente estão mais expostos nos supermercados ou em revistas.

A imagem inicial que temos do vinho, impacta e muito, quando vamos bebe-lo. O nome do vinho e sua vinícola, também trás consequências na hora da degustação. E para dificultar ainda mais, hoje temos uma infinidade de opções de rótulos, com diversidade de região, uva e também de preço. Quando entramos numa loja especializada para comprar uma garrafa (ou uma dúzia delas), fazemos a comparação entre os diversos rótulos na estante. E temos que selecionar o que nos apresenta boas recordações, ou que fazem um merchandising mais agressivo. Então você pensa: O que fazer agora? Que vinhos escolher?

Sendo bem prático, recomendo dividir as compras em vinhos com preços honestos, que vamos considerar os vinhos do dia-a-dia, e vinhos especiais, que serão degustados em momentos especiais (sempre compro estes vinhos em viagens, pois os preços são bem mais em conta). Nos dois casos, você tem que estimar quantos vinhos vai tomar por determinado período (sempre erro nesta conta, e tenho que voltar ao mercado antes do prazo!!), e daí definir o valor que pode pagar por estes vinhos, chegando a um valor médio e real.

Claro que você vai pagar mais caro por vinhos de rótulo mais conhecido, mesmo não tendo a certeza se é melhor do que o vinho ao lado, com preço equivalente, mas que você nunca ouviu falar. Ou seja, a imagem do rótulo é um fator decisivo na hora da compra, como em qualquer produto! Porém no vinho é tão forte, que as degustações profissionais tem que ser feitas às cegas, sem que os convidados saibam ou vejam que vinho estão tomando, para não influenciar em sua decisão.

20160225 - o poder da imagem 01

Ao meu ver, devemos combater esta influência da imagem, pois criamos assim um preconceito, no sentido literal, dos produtos que vamos consumir. Criamos expectativas que se não atingidas, podem nos trazer pequenas, ou até grandes, frustrações. Quando passamos a ter uma rigidez na formação de nossos conceitos, não damos chance ao novo, e perdemos a oportunidade de valorizar a evolução dos produtos, principalmente no caso do vinho. Se eu sempre achar que a Pinot Noir, não é uma boa uva, por uma experiência ruim, perderei a chance de tomar excelentes borgonhas!!! Mas para criarmos referências, é muito importante fundamentar nosso critérios, não apenas tomando muito vinho, mas estudando, seja na internet ou em livros especializados. Temos que abrir nossos horizontes, e deixar de criar conceitos fixos.

Depois do jantar que citei no início do texto, vejo com bastante clareza, que no caso de meu avô, ele não admirava minha avó por guardar a imagem dela jovem, estática, de uma data passada. Mas por que ela, ao longo de 70 anos de casamento, conseguiu renovar seu amor, e ele foi também renovando e atualizando seu conceito. Finalmente, entendi, que a beleza que ele via nela, era justamente de sua imagem atual…!

20160225 - o poder da imagem 02

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